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Cordel do Chapeuzinho e o Lobo

Este vídeo do espetáculo Infanto-juvenil O Cordel do Chapeuzinho e o Lobo foi realizado com recursos da ação emergencial – Lei nº 14.017/2020 - Lei Aldir Blanc. 

Nas licenças poéticas estabelecidas para esta versão livre, o conto de Perrault foi transportado para o nordeste brasileiro e o Cordel se torna referência artística para a encenação. Outra referência que acabou sendo incorporada à concepção cenográfica foi o Bispo do Rosário que deu a inspiração para o telão de fundo. A idéia de que Chapeuzinho lida com a ambivalência infantil entre viver pelo princípio do prazer ou pelo da realidade é sustentada pelo fato dela só parar para colher flores quando já juntara tantas que não podia mais carregá-las. A vovó só é recordada quando o prazer de colher flores termina; aí, Chapeuzinho se lembra da sua meta: a avó e fazer-lhe uma visita, isto é só quando colher flores e o prazer que isto lhe traz termina, o ID em busca de prazer recua e Chapeuzinho passa a tomar conhecimento das suas obrigações. Chapeuzinho é na realidade uma criança que já luta com problemas pubertais, para os quais ainda não está preparada emocionalmente, pois ainda não dominou os problemas edípicos. Chapeuzinho, porém é mais madura do que João e Maria, demonstrando uma atitude interrogativa diante do mundo que os dois irmãos desconhecem, por não se questionarem sobre a casa de biscoitos, nem explorarem as intenções da bruxa. Chapeuzinho é curiosa, deseja descobrir coisas (sua mãe já a advertiu, desde o início, que não ficasse espionando pelos quatro cantos). Quando ela encontra a vovó que lhe parece “muito estranha”, a menina se confunde com os disfarces usados pelo lobo, mas ela não se intimida e quer entender o que está se passando e passa a interrogar a “vovó”: com “por que essas orelhas tão grandes? Por que esses olhos tão grandes? Por que as mãos tão grandes, por que a boca terrível?” Chapeuzinho enumera os quatro sentidos (audição, visão, tato e paladar) que a criança púbere usa para compreender o mundo. A quantidade de aspectos que este conto oferece é impossível de ser resumida neste pequeno texto ou mesmo em uma encenação.

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CHAPEUZINHO VERMELHO – TEMA CENTRAL

“Chapeuzinho Vermelho” aborda alguns problemas cruciais que a menina, em idade escolar, tem de solucionar quando as ligações edípicas persistem no inconsciente - o que pode levá-la a expor-se, perigosamente, a possíveis seduções. A casa da floresta é o símbolo do lar paterno, que são vivenciados de modo diferente devido a mudanças na situação psicológica. Na sua casa paterna, Chapeuzinho tem a proteção dos seus pais, é a criança pré-pubere sem conflito algum e capaz de lidar com as circunstâncias. Na casa da vovó, também oferecendo segurança, Chapeuzinho sente insegurança e incapacidade de resolver as situações em conseqüência do seu encontro com o lobo. Já ultrapassada a ansiedade oral, que encontramos claramente no conto “João e Maria” (comer a casa de biscoitos, representação simbólica da mãe má que os abandonou ou os forçou a abandonar o seu lar), Chapeuzinho oferece alimentação à sua avó, compartilhando com ela a fartura que encontra no seu lar.Chapeuzinho já pode abandonar o seu lar sem ser empurrada para fora dele (João e Maria), ela não teme o mundo externo e o admira reconhecendo a sua beleza… Encontra-se aí o perigo! Pode surgir aí o dilema do mundo fora do lar e do dever se tornar mais atraente, Chapeuzinho correria o risco de basear o seu comportamento no princípio do prazer. Esta luta, entre o princípio da realidade e o do prazer está oculta nas seduções contidas nas palavras do lobo: “Veja como são lindas as flores ao seu redor. Por que não dá uma olhada? Acho que nunca parou para escutar o canto dos pássaros… Aqui na floresta tudo é prazer e você está caminhando atenta como quando vai à escola.” Surge aí o conflito entre realizar o que gostamos e o que devemos, de conformidade com a advertência feita, anteriormente, pela mãe de Chapeuzinho. A fama e a aceitação deste conto vêm do fato de que apesar de Chapeuzinho ser uma menina virtuosa ela sofre as tentações e o que lhe acontece indica à criança que não podemos confiar nas intenções de todos, mesmo aqueles que julgamos bons e agradáveis, isto nos sujeita a armadilhas perigosas. Se dentro de nós não existisse uma parte que aprecia o lobo mau, ele não obteria poder algum sobre nós. Então é hora de procurar o entendimento de si próprio e de saber o que é atraente para nós mesmos. Por mais atraente que seja sermos ingênuos, não podemos caminhar pela vida sendo ingênuos o tempo todo.